quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O dilema da Liberdade (Parte 2)

Por Davidson Rocha de Oliveira

Preocupo-me com temas, conceitos, estudos, pesquisas que devem respeitar a integralidade de uma definição ou análise contextual, e que sistematicamente dividido são corrompidos por interpretações diversas. Liberdade, com certeza constitui este acervo que tem sido sistematizado e infelizmente mal compreendido pelas livres interpretações de pessoas, grupos sociais ou até mesmo estudiosos.

O relativismo, a abstração, o individualismo (egoísta), são literalmente combatidas por uma simples análise em que a liberdade se torna bem definida, concreta e comunitária filosoficamente e racionalmente aplicada. Ela caracteriza a ordem, justiça, a VERDADE, e desenha uma relação “livre” dos seres.

Através da liberdade é atribuída a auto-afirmação da existência e do ego humano valores, direitos e deveres que não o isentam da responsabilidade de estar em sua posição correta (Tsédek). Estar submisso a liberdade (ser livre), significa estar sujeito a justiça da liberdade, ou melhor a Lei da liberdade. Como descrito anteriormente, a racionalidade de ser livre aplica-se sobre a capacidade de julgar ações que devem ser justas. Contraditório ao pensamento contemporâneo, principalmente entre adolescentes e jovens, que práticas irresponsáveis, relativas ou mal pensadas apresentam a minha liberdade. TORRES, Orlando diz que: “A liberdade acaba onde sabemos que devemos obedecer”. Fator determinante para conhecimento do ser livre, não são práticas desordenadas e egocêntricas, mas sim a confrontação em juízo racional de leis, mandamentos, estatutos e ordenanças que as definem como apropriadamente JUSTAS.

Tiago 1:25 “Aquele, porém, que atenta bem para a LEI PERFEITA DA LIBERDADE, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito”.

Finalmente chegamos ao ponto mais importante. Para livres precisamos estar sujeitos a liberdade. Talvez façamos a seguinte afirmação: Não há possibilidade alguma que a razão de homens julgue todas as ações entre justas e injustas, determinando os que são livres. Concordo plenametente. Afinal, dia após dia, o ser humano, tem a predisposição para corromper seu caráter (que se diz livre, ou justo) e seu coração julgando situações conforme interesses próprios (Jeremias 17: 9 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?).

Mas Tiago descreve a LEI PERFEITA DA LIBERDADE. WASHER, Paul aconselha: “Deixe toda a esperança que você tem em você mesmo”. Não há sobre o ser humano nenhuma capacidade ou habilidade para que estabeleça condições perfeitas de juízo para estabelecimento da liberdade. Quando LEMOS, PESQUISAMOS E ESTUDAMOS as SAGRADAS ESCRITURAS temos diante de nós a PERSONIFICAÇÃO da LEI PERFEITA DA LIBERDADE, chamado O Verbo do Eterno. Através de esclarecimentos e ferramentas filosóficas chegamos a conclusão que a LIBERDADE REGIDA POR LEIS JULGAM PARA JUSTIÇA E ESTABELECE LIVRES, é a PALAVRA, o VERBO, a LIBERDADE.

Enquanto homens, não podemos estabelecer ou auto-afirmar nossa existência senão pela LIBERDADE. Segundo MIGUEL, Igor “...o que está entre o sujeito e o predicado: O VERBO. O que carrega o predicado (ser) ao sujeito é O VERBO”(descrição particular). O que nos faz ser livres é O VERBO, VERBO este que reafirma a nossa existência dele mesmo: a LIBERDADE. A LEI PERFEITA DA LIBERDADE é descrita por PALAVRA, a PALAVRA, constitui o VERBO, o VERBO gera o SER LIVRE (LIBERDADE).

A filosofia através de Satres e Schopenhauer, conceitualmente confirma a idéia de que a LIBERDADE é a única maneira de SER, EXISTIR. Se não mediante a LIBERDADE (a Lei Perfeita, o Verbo, a Palavra) temos sérios problemas quanto à afirmação de nossa existência e do que realmente somos... livres? Ou escravos?...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O dilema da Liberdade (Parte 1)

Por Davidson Rocha Oliveira

Estou completamente alarmado para entender o que significa liberdade. Sinceramente, não consigo olhar para a sociedade ou pessoas, e ver ou reconhecer LIBERDADE em suas vidas (Claro... e eu sei que existem exceções).

Sei que parece engraçado, mas queria refletir em uma pergunta, e a partir dela as possibilidades: O que é liberdade? O que é ser livre?

Segundo a Wikipédia, liberdade (conceito filosófico) designa de uma maneira negativa a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Interessantíssimo destacar que o conceito filosófico se divide em dois aspectos: negativo e positivo. Em uma primeira análise o ser humano torna-se isento de submissão, servidão e determinação, conflitando-se com o fato de que uma sociedade sem justiça (submissão, serviço e determinações de leis, regras, ordenanças, estatutos) se auto-destrói. Em segundo plano, torna-se detentor de autonomia e espontaneidade segundo a razão.

Ainda conceituando, filósofos como Satres e Schopenhauer retiram o conceito da liberdade do que é abstrato e atribuiem-na ao caráter do ser humano. “Não se trata de uma separação entre a liberdade e o homem, mas sim de uma sinergia entre ambos para a auto-afirmação do Ego e sua existência”.

Podemos deduzir então que a liberdade não se trata meramente de um conceito ou uma definição de dicionário que lemos e simplesmente podemos ter. Liberdade em muito se distancia do campo abstrato, e tomando por referência um pensamento judaíco antigo, quase que se torna uma pessoa que está envolto em nosso ser. Digo assim, que liberdade está diretamente ligado ao SER e NÃO SOMENTE ao pensar.

Prováveis questionamentos (Imagino): liberdade é relativa!, ou, sou detentor da minha liberdade!, ou ainda: sou livre porque faço e penso segundo meu desejo! Proponho algumas questões: Se a liberdade (ser livre) é relativa ao que penso, como ela pode sair do campo abstrato (Satres e Schopenhauer)? Se é relativa ao ser, como afirmar a existência? Se detentor (posse) da liberdade, tenho a fórmula da existência? Agir segundo a particularidade de cada indívíduo (vontade própria) não é a força motriz do egoísmo, além de ferir a relação social-comunitária? Liberdade, não é somente abstrata (pensar) tampouco somente ativista de particularidades.

Tendo em mente conceitos, assim como o conselho de “Tiago”, vamos a prática. A liberdade humana é regida por dois aspectos: negativo e positivo. Importante que esta determinação só pode ser observada entre os que se dizem racionais (homens), afinal, animais tem práticas livres regidas por justiça segundo suas espécies que garante a eles uma vida (liberdade) plena; Uma importante citação para isso seria a de Rosh MIGUEL, Igor 2009 “Você nunca viu uma vaca se lançar (suicídio) no mar por uma crise existêncial (depressão)”. Insisto nesta argumentação, porque a liberdade não quer dizer “ausência de leis, regras, estatutos, ordem”, para realização de práticas desacerbadas segundo a racionalidade do indivíduo (Tiago 2:12 – “Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade”). Contraditoriamente ao pensamento moderno, a liberdade está completamente regida por ORDEM, afinal ela não está separada do homem, antes ela gera motivos que qualificam sua existência, ou seja, delegam ao ser humano uma identidade.

Mas como podemos nos referir como livres se vivemos em uma sociedade que a desordem e o caos tem prevalecido? Como ser livre em meio a um povo que tem se levantado contra TODAS AS LEIS DA LIBERDADE QUE DATERMINAM A IDENTIDADE DO SER HUMANO EM TODOS OS ASPECTOS DA COSMOVISÃO? COMO SER LIVRE, SE A AUTONOMIA E ESPONTANEIDADE DO HOMEM TEM DEIXADO A RAZÃO?

Verificamos que pensar em liberdade envolve muitos outros conceitos humanos e que tem sido deturpados para uma cultura que está atolada em suas próprias vontades, que desrespeita a liberdade plena, para viver a liberdade egocêntrica; que anula a liberdade comunitária para a liberdade do eu; que cala a voz da liberdade justa para estabelecer a injustiça pela corrupção do ser em todas as suas dimensões. Segundo o conceito filosófico a liberdade afirma a independência do SER HUMANO (espécie) e não somente do “eu humano”. Independência esta que pode ser descrita por autonomia e espontaneidade RACIONAL.

Racionalidade, derivado do latim ratus, partícipio passado de reor, remete ao homem a faculdade de julgar. Só pode julgar aquele que é regido por leis; local (espaço) ou pessoa regida por leis tangenciam finalmente a essência da liberdade: a JUSTIÇA. Que palavra linda! No hebraico, justiça (Tsédek) significa “estar em linha reta; estar na posição correta” (CATES, 2009). A liberdade autônoma e espontanea racional do homem está diretamente ligada à sua condição (posição) HUMANA. Contudo, a partir da liberdade é que o ser HUMANO recebe a afirmação de sua existência, ou seja, o ser humano está SUJEITO A LIBERDADE para que exista.

Entendemos porque a liberdade sai do campo da abstração e quase se personifica. Não por um conceito; mas para a existência do ser humano livre, ele deve estar submisso (sujeito) a liberdade...

Ser livre é estar sujeito a liberdade...