Por Davidson Rocha Oliveira
Estou completamente alarmado para entender o que significa liberdade. Sinceramente, não consigo olhar para a sociedade ou pessoas, e ver ou reconhecer LIBERDADE em suas vidas (Claro... e eu sei que existem exceções).
Sei que parece engraçado, mas queria refletir em uma pergunta, e a partir dela as possibilidades: O que é liberdade? O que é ser livre?
Segundo a Wikipédia, liberdade (conceito filosófico) designa de uma maneira negativa a ausência de submissão, de servidão e de determinação, isto é, ela qualifica a independência do ser humano. De maneira positiva, liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.
Interessantíssimo destacar que o conceito filosófico se divide em dois aspectos: negativo e positivo. Em uma
primeira análise o ser humano torna-se isento de submissão, servidão e determinação, conflitando-se com o fato de que uma sociedade sem justiça (submissão, serviço e determinações de leis, regras, ordenanças, estatutos) se auto-destrói. Em segundo plano, torna-se detentor de autonomia e espontaneidade segundo a razão. Ainda conceituando, filósofos como Satres e Schopenhauer retiram o conceito da liberdade do que é abstrato e atribuiem-na ao caráter do ser humano. “Não se trata de uma separação entre a liberdade e o homem, mas sim de uma sinergia entre ambos para a auto-afirmação do Ego e sua existência”.
Podemos deduzir então que a liberdade não se trata meramente de um conceito ou uma definição de dicionário que lemos e simplesmente podemos ter. Liberdade em muito se distancia do campo abstrato, e tomando por referência um pensamento judaíco antigo, quase que se torna uma pessoa que está envolto em nosso ser. Digo assim, que liberdade está diretamente ligado ao SER e NÃO SOMENTE ao pensar.
Prováveis questionamentos (Imagino): liberdade é relativa!, ou, sou detentor da minha liberdade!, ou ainda: sou livre porque faço e penso segundo meu desejo! Proponho algumas questões: Se a liberdade (ser livre) é relativa ao que penso, como ela pode sair do campo abstrato (Satres e Schopenhauer)? Se é relativa ao ser, como afirmar a existência? Se detentor (posse) da liberdade, tenho a fórmula da existência? Agir segundo a particularidade de cada indívíduo (vontade própria) não é a força motriz do egoísmo, além de ferir a relação social-comunitária? Liberdade, não é somente abstrata (pensar) tampouco somente ativista de particularidades.
Tendo em mente conceitos, assim como o conselho de “Tiago”, vamos a prática. A liberdade humana é regida por dois aspectos: negativo e positivo. Importante que esta determinação só pode ser observada entre os que se dizem racionais (homens), afinal, animais tem práticas livres regidas por justiça segundo suas espécies que garante a eles uma vida (liberdade) plena; Uma importante citação para isso seria a de Rosh MIGUEL, Igor 2009 “Você nunca viu uma vaca se lançar (suicídio) no mar por uma crise existêncial (depressão)”. Insisto nesta argumentação, porque a liberdade não quer dizer “ausência de leis, regras, estatutos, ordem”, para realização de práticas desacerbadas segundo a racionalidade do indivíduo (Tiago 2:12 – “Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade”). Contraditoriamente ao pensamento moderno, a liberdade está completamente regida por ORDEM, afinal ela não está separada do homem, antes ela gera motivos que qualificam sua existência, ou seja, delegam ao ser humano uma identidade.
Mas como podemos nos referir como livres se vivemos em uma sociedade que a desordem e o caos tem prevalecido? Como ser livre em meio a um povo que tem se levantado contra TODAS AS LEIS DA LIBERDADE QUE DATERMINAM A IDENTIDADE DO SER HUMANO EM TODOS OS ASPECTOS DA COSMOVISÃO? COMO SER LIVRE, SE A AUTONOMIA E ESPONTANEIDADE DO HOMEM TEM DEIXADO A RAZÃO?
Verificamos que pensar em liberdade envolve muitos outros conceitos humanos e que tem sido deturpados para uma cultura que está atolada em suas próprias vontades, que desrespeita a liberdade plena, para viver a liberdade egocêntrica; que anula a liberdade comunitária para a liberdade do eu; que cala a voz da liberdade justa para estabelecer a injustiça pela corrupção do ser em todas as suas dimensões. Segundo o conceito filosófico a liberdade afirma a independência do SER HUMANO (espécie) e não somente do “eu humano”. Independência esta que pode ser descrita por autonomia e espontaneidade RACIONAL.
Racionalidade, derivado do latim ratus, partícipio passado de reor, remete ao homem a faculdade de julgar. Só pode julgar aquele que é regido por leis; local (espaço) ou pessoa regida por leis tangenciam finalmente a essência da liberdade: a JUSTIÇA. Que palavra linda! No hebraico, justiça (Tsédek) significa “estar em linha reta; estar na posição correta” (CATES, 2009). A liberdade autônoma e espontanea racional do homem está diretamente ligada à sua condição (posição) HUMANA. Contudo, a partir da liberdade é que o ser HUMANO recebe a afirmação de sua existência, ou seja, o ser humano está SUJEITO A LIBERDADE para que exista.
Entendemos porque a liberdade sai do campo da abstração e quase se personifica. Não por um conceito; mas para a existência do ser humano livre, ele deve estar submisso (sujeito) a liberdade...
Ser livre é estar sujeito a liberdade...
Parabéns!
ResponderExcluirQue texto bacana! "Ser livre é estar sujeito a liberdade...". Davidson, continue crescendo em graça e conhecimento da Palavra de Deus. Fico feliz por sua reflexão e a relevância dela para os tempos atuais.
Kol HaKavod!
Igor,
ResponderExcluirMais uma vez, muito obrigado por sua atenção e análise ao que tenho tentado produzir... irei continuar me dedicando muito para produzir "liberdade" segundo a vocação, pelo Eterno concedida!