Por Davidson Rocha de Oliveira
Ouvindo uma reportagem de uma emissora de rádio de Belo Horizonte, tive conhecimento de uma forma de poesia muito interessante chamada haikai. Arte de origem japonesa de muita objetividade e concisão. Estes poemas são constituídos de três linhas, contendo na sua primeira e última linha cinco caracteres japoneses, totalizando sempre cinco sílabas, e sete caracteres na segunda linha totalizando sete sílabas. Têm por finalidade transmitir o pensamento ou sentimento momentâneo do autor através de metáfora a uma característica da natureza.
Pensei muito neste estilo poético, e com todo o respeito à inspiração oriental e seus autores, gostaria de tocar uma fraqueza “cristã ocidental moderna” que parece apreciar e explorar muito o haikai durante sermões e estudos.
Quando lemos as Sagradas Escrituras e entendemos a completude Desta, é muito importante destacar a complexidade e auto-suficiência das descrições e argumentações bíblicas para os ensinamentos a serem transmitidos. Em contra partida, é engraçado observar como os contemporâneos líderes religiosos tem-se “utilizado” da arte oriental para domar (senão dominar) seus ouvintes.
Ao ler as Escrituras é evidente a impossibilidade de transmissão ou assimilação de sentimentos particulares na instrução de estudos bíblicos. O que quero dizer em bom português é: o que pensamos ou sentimos ao ler os textos bíblicos se submetem em todo tempo a Razão e Supremacia da lógica divina ESCRITA nos Sagrados Textos. Não podemos assimilar ou co-relacionar as mensagens bíblicas a subjetividade do “haikai gospel”.
As instruções do evangelho são completas em si mesmas e não precisam da interferência emocional ou capacidade subjetiva de argumentação para serem transmitidas. Hebreus capítulo 4:12 “Porque a palavra de D’us é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Nunca foi e nunca será necessária a interferência humana para determinação da eficácia desta Palavra aos corações, nunca foi e nunca serão necessários os gritos, suor, lágrimas (... de crocodilo, diga-se de passagem), um verdadeiro espetáculo para convencer outros da VIDA contida nas boas novas.
Um segundo aspecto do haikai, está na possibilidade de interpretações secundárias ao poema apresentado. O leitor/ouvinte tem liberdade de buscar sobre as linhas e palavras do haikai, não só a interpretação literal como intenções incógnitas que o autor não prescreveu. Tenho grande apreço pela cultura oriental, mas me sinto constrangido ao constatar em altares religiosos, homens que utilizam de alguns textos SAGRADOS para subverter seus ouvintes, com suas poucas palavras, que, entretanto, estão inflamadas de outras intenções que direcionam e canalizam a fé de muitos (devido à incapacidade crítica e cultural semeada também por estes) a mesma mediocridade lecionada.
Não podemos nos esquecer: Mateus 5:37 “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna”. A mensagem do Evangelho e de todo o contexto das Sagradas Escrituras apontam exclusivamente a centralidade de Cristo, o Messias pelo qual João define como o “Verbo” de D’us, o Logus (Palavra) do Criador. Não há sobre Ele, lógica ou a miserável e corrupta sabedoria humana, não há sobre seus ensinamentos segundas intenções. Sobre ele está toda a Sabedoria e caráter pelo qual devemos seguir e ensinar sendo seus imitadores.
Tenho uma sugestão de haikai a igreja moderna:
Luz. Verdade a falar,
Ninguém a ouvir. Senhor
com lágrimas a rolar!
Efésios 5: 1 “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados”;
Colossenses 2:8 “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”;
